Por que valorizar a diversidade na paternidade?

Assim como a maternidade, a paternidade também é uma construção social. Os comportamentos e atitudes são influenciados pela época em que ocorrem e com forte impacto de uma sociedade que apenas visibiliza uma única forma de ser pai. Então, por que é necessário valorizar a diversidade na paternidade?

Primeiro, precisamos considerar que vivemos em um país patriarcal e machista, que segue considerando que a responsabilidade do cuidado dos filhos é somente da mulher. Infelizmente, é isso que os dados mostram. 

Segundo dados divulgados pelo Portal da Transparência do Registro Civil em março de 2022, mais de 320 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe em suas certidões de nascimento nos últimos dois anos. 

Somado a isso, segundo o artigo 392º da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), mulheres têm garantido o direito de licença-maternidade de 120 dias. Por outro lado, homens têm, apenas, entre 5 e 20 dias de licença-paternidade. A Constituição Federal de 1988, do Art. 7º até o Art. 10º, garante que a licença-paternidade tenha uma duração total de cinco dias, período que pode ser estendido, se o funcionário estiver em uma empresa que faz parte do Programa Empresa Cidadã. Em outras palavras, a própria legislação brasileira segue reforçando o paradigma de que o cuidado com os filhos é responsabilidade da mulher. Dentre os 15 países com maior período de licença, 13 são europeus e 2 asiáticos (Coreia do Sul e Japão) e o Brasil ainda está longe dessa lista de referências.

Acontece que ser pai é uma construção também influenciada por diversos outros fatores como: identidade de gênero, cor/raça, orientação sexual, deficiência e outros marcadores sociais que não podem ser desconsiderados. 

A interseccionalidade, ou seja, a intersecção de dois ou mais marcadores sociais cria realidades e desafios distintos. Neste contexto, é possível afirmar que as questões enfrentadas por um pai com deficiência, por um pai transexual ou gay não são as mesmas, por exemplo.

Então, a discussão sobre a naturalização de que o cuidado da família e dos filhos é papel da mulher, afinal, se as mulheres foram ensinadas, os homens também podem aprender, torna-se ainda mais complexa. Por outro lado, os benefícios são vários quando a figura masculina ocupa o espaço do cuidado, como a redução do risco da violência doméstica e o fortalecimento dos laços familiares.

Por isso, precisamos pensar em paternidades. Que não apenas no mês de agosto, nós possamos refletir que a paternidade, assim como a maternidade, são produtos da sociedade, desfazendo-se e abrindo nossos olhos para as diversas formas de ser pai e que possamos refletir que o cuidado de si e das outras pessoas não é um papel apenas feminino, é de todo mundo, incluindo dos homens.Mudanças não são fáceis de serem implementadas, mas o primeiro passo é ampliar o nível de repertório para transformar essa realidade. Quer saber mais sobre como promover a paternidade ativa na sua organização? O Instituto AB pode te ajudar! Escreve para gente no contato@institutoab.com !

Publicado por por Amanda Brito

Administradora e Especialista em Gestão Empresarial e em Educação, atua há mais de dez anos conduzindo processos de Gestão Estratégica de Pessoas, Gestão de Carreira e Desenvolvimento Humano, além de já ter coordenado grupos de trabalho sobre Equidade em ambientes corporativos. Apaixonada por transformação de pessoas, possui formação em Coaching Executivo e Life Coaching, em curso credenciado pelo ICF, e em Practitioner em PNL. Também ministra palestras e tem experiência facilitando processos em Grupos. Baiana radicada no Rio, e viajante nas horas vagas, seus pés não sabem andar nem ficar quietos.

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