Que a História do Brasil é atravessada por profundas desigualdades, nós já sabemos. Mas, neste contexto, será que o racismo reverso existe?
Primeiro, precisamos entender que o que se chama “racismo reverso” seria uma crença de que se as pessoas brancas sofreriam opressão. Para nos orientar e ajudar a entender de qual contexto estamos discutindo tal conceito, quando há intersecção entre gênero, raça e deficiência:
- Mulheres negras recebem menos do que homens (brancos e negros) e mulheres negras em todas as profissões analisadas pelo levantamento da Insper e 75% das pessoas mais pobres são negras, enquanto 75% das pessoas mais ricas são brancas, segundo informativo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” do IBGE (2019);
- Mulheres negras com deficiência são as mais afetadas pelo desemprego, com taxa de 13,4%, para os homens negros com deficiência esse número é de 8%
Esses dados são o espelho da forte e histórica desigualdade racial presente em todos setores da sociedade. Assim, fica mais fácil entender que não há que se falar em racismo reverso. Afinal, como pode haver racismo reverso e supremacismo negro se não existe racismo estrutural e institucional sofrido pelos brancos?
É importante lembrar que o fato de afirmarmos, com dados e evidências, que é impossível que o racismo reverso exista, não estamos negando o cenário de desigualdade e vulnerabilidade que também pode afetar as pessoas brancas.
Entender que não existe racismo reverso, é entender que é a população negra que têm seu acesso negado aos direitos, dentre os quais, o acesso a condições de subsistência e acesso ao mercado de trabalho em condições equânimes às pessoas brancas. E se isso ocorre é porque há um privilégio racial.
Portanto, racismo reverso não existe. Existe o racismo, que precisa ser combatido. A inclusão de pessoas não brancas em todos os âmbitos, assim como no mercado de trabalho, é um assunto urgente e necessário. Afinal, não existe desenvolvimento sustentável sem a garantia de uma vida digna e com condições equânimes para todas as pessoas.Quer saber mais como ir além das ações de conscientização no novembro negro? Escreve para gente no contato@institutoab.com !
