O custo do capacitismo para o desenvolvimento econômico sustentável

É inquestionável o papel social do trabalho na vida das pessoas com, e sem, deficiência. Por outro lado, ainda falamos muito pouco sobre o impacto que a exclusão de pessoas com deficiência do mercado de trabalho gera para o desenvolvimento econômico sustentável do nosso país.

Sem ter a pretensão de esgotar um debate que é profundo e complexo (e não existem respostas simples para questões complexas), temos um espaço para refletir sobre o custo do capacitismo para impulsionar uma economia de mercado competitiva e sustentável e, consequentemente, para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que compõem a Agenda 2030. Neste contexto, precisamos considerar o custo do capacitismo para as organizações e para o nosso país.

Primeiro, precisamos entender que o capacitismo é a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência, mas também pode ser definido como um tipo de opressão que define os sujeitos pela sua capacidade. Quem está fora do padrão terá menos ou nenhuma oportunidade dependendo do cenário. Por fim, também podemos conceituar o capacitismo como a ideia de que pessoas com deficiência são inferiores àquelas sem deficiência, tratadas como anormais, incapazes, em comparação com um referencial definido como perfeito.

O conceito de capacitismo nos ajuda a entender o contexto atual de desigualdade que afeta as pessoas com deficiência, sobretudo com relação ao recorte de inclusão no mercado de trabalho e ao acesso à educação formal, a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019: 

  • 28,3% é a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, enquanto 66,3% é a taxa participação de pessoas sem deficiência;
  • 10,3% é a taxa de desocupação de pessoas com deficiência, maior do que a verificada entre as pessoas sem deficiência que é de 9,0%;
  • R$ 1.639,00 mensais é o salário médio das pessoas com deficiência, enquanto o das pessoas sem deficiência é de R$ 2.619,00.

Esses dados são o espelho da triste realidade que atravessa a História do nosso país e que demanda, de maneira urgente, ser transformada a partir não apenas de uma abordagem social e de cumprimento de cotas, que são fundamentais, mas como um fator estratégico para inovação, que gera impacto nos resultados das organizações e no desenvolvimento econômico sustentável que é incompatível com a exclusão de mais de 18 milhões de brasileiros e brasileiras.

É preciso, portanto, considerar que as pessoas com deficiência fazem parte de um grupo diverso e que tal diversidade não pode ser desconsiderada na elaboração de políticas públicas e no desenho de iniciativas de inclusão por parte das organizações. 

Afinal, de acordo com dados do Banco Mundial, a exclusão de pessoas com deficiência do mercado de trabalho e da educação formal pode representar a perda de 3% a 7% do PIB de um país.

Entender que não há desenvolvimento sustentável sem a inclusão de pessoas com deficiência, é entender que a luta anticapacitista é responsabilidade de todas as pessoas e que devemos assumir a parte que nos cabe nesse cenário de corresponsabilidade.Quer saber mais como sua organização pode atuar como aliada na construção de um desenvolvimento sustentável que não deixa ninguém para trás? Escreve para gente no contato@institutoab.com !

Publicado por por Amanda Brito

Administradora e Especialista em Gestão Empresarial e em Educação, atua há mais de dez anos conduzindo processos de Gestão Estratégica de Pessoas, Gestão de Carreira e Desenvolvimento Humano, além de já ter coordenado grupos de trabalho sobre Equidade em ambientes corporativos. Apaixonada por transformação de pessoas, possui formação em Coaching Executivo e Life Coaching, em curso credenciado pelo ICF, e em Practitioner em PNL. Também ministra palestras e tem experiência facilitando processos em Grupos. Baiana radicada no Rio, e viajante nas horas vagas, seus pés não sabem andar nem ficar quietos.

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